sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Apenas ficção

ou terça-feira lá em casa, sem falta!


A gente não se conhecia. Quer dizer, ela não sabia da minha existência. Mas não havia como não notar uma mulher como aquela. Não saberia por onde começar a descrever tamanha beleza. Sem dúvida, a foto dela poderia ilustrar no dicionário a palavra “mulherão”. Difícil identificar exatamente o que a fazia tão diferente. Era o tal do sex appeal. Ou melhor, o “borogodó”.
Muitas e muitas vezes, nos intervalos das filmagens, dividimos o mesmo balcão do Café que ficava entre os nossos estúdios. Eu não era ainda muito conhecido. Um ator de segundo escalão. Ela também não era famosa como se tornou pouco tempo depois. 

Numa dessas tardes, eu ali distraído, como sempre lendo um livro e ela se senta ao meu lado. Parecia um pouco agitada. Logo se levantou. E esbarrou em mim. Derrubando todo o café que eu tomava em minha camisa. Ela ficou completamente sem jeito. Pediu mil desculpas. Parecia um tanto atrapalhada. Diferente da imagem que eu tinha até então.
Nunca uma camisa manchada fora tão abençoada!
Ela chegou até a se oferecer pra limpar. Trocamos mais algumas palavras. Ela tentando se explicar. Duas ou três frases, que eu não posso me lembrar, e ela se foi como um furacão. Mais uma vez se desculpando. É, não consigo mesmo me lembrar do que falamos. Seria exigir demais de mim. Eu estava impactado. Encantado.

Naquela semana eu não a vi mais. Mas pra minha surpresa e alegria nos encontramos de novo. Cheguei ao Café e ela já estava lá. Linda. Não pude deixar de pensar, inseguro, será que ela vai se lembrar de mim? Vamos arriscar. E lá fui eu. Parei ao lado dela e ela parecia feliz em me ver. Pediu desculpas pelo outro dia e disse que tinha um presente pra mim. Me entregou uma caixa. Agora era a minha vez de ficar sem jeito. Não sabia o que dizer. Abri a caixa. Era uma camisa. Branca como aquela da mancha. Ela estava mais uma vez se desculpando. Espero que tenha acertado o seu número, ela me disse olhando bem nos meus olhos. E ela acertou mesmo. Era o meu número. Bom, quebramos o gelo. Eu a convidei para sentarmos numa mesa. E quando me dei conta já estávamos ali há algumas horas. Falamos. Falamos. E não conseguíamos parar. Foi uma sintonia imediata. Falamos das dificuldades da carreira, de família e amigos em comum. Não poderia imaginar que ela gostasse de ler – ou que, pelo menos, gostasse tanto de ler! Muitas e muitas histórias em comum. Gostos parecidos. Foi uma conversa deliciosa. A minha admiração só aumentou. Além de belíssima ela era uma garota muito inteligente. Apaixonante.

Nos prometemos que aquela conversa aconteceria mais vezes. Infelizmente, terminei as filmagens naquele estúdio e já não conseguia mais aquele tempo para passar pelo Café. Mas um dia, ao acaso, nos cruzamos no centro da cidade. E o clima daquele outro dia, ainda estava presente. E fiquei sabendo que ela estaria sempre por ali naquele horário. Pelo menos enquanto durasse o curso de interpretação que ela estava fazendo. Parecia tão dedicada. Empenhada em aprender mais. Não se considerava uma boa atriz. Nesse aspecto era bastante insegura. O que realmente não combinava com aquela mulher tão exuberante. Bom, inventei alguma coisa e disse que também passava por ali com frequência. E sugeri, numa brincadeira, que nos encontrássemos pelo menos por 30 segundos. Tempo suficiente para um abraço e um olá. Que não atrapalharia ninguém. Ela achou incrível.
E nos encontramos muitos e muitos 30 segundos. Geralmente só pra dizer o quanto era bom nos encontrarmos nem que fosse por 30 segundos. Era o nosso tempo possível.

Um dia, criei coragem e a convidei pra tomar uma bebida no meu apartamento. Ela aceitou! Juro, tentei não criar nenhuma expectativa. Mas era impossível. Bom, eu não faria nada que ela não quisesse. Isso estava claro pra mim. Não queria correr o risco de perder o que conquistamos em nossos pequenos momentos.

Era uma terça-feira. Eu ali dando uma geral em tudo. Afinal, quando se é solteiro a organização da casa não é exatamente uma prioridade. Mas queria passar uma boa impressão. Coloquei um jazz pra tocar enquanto esperava ansioso. Ela não demorou muito. Primeiro mostrei o apartamento. Servi uma bebida e sentamos pra conversar. Pra variar. Até então, o nosso forte era só a conversa. Confesso que eu estava um tanto desconcertado. Era uma conversa diferente. A gente estava completamente a sós pela primeira vez. Num determinado momento, enquanto falava, ela tocou na minha mão. Nossa! Eu não era o que se pode chamar de um homem inexperiente. Tinha os meus encantos e confiava no meu poder de sedução. Mas eu é que estava seduzido. Em um determinado momento, ela parou e ficou só me olhando. Deu um sorriso. Ah, aquele sorriso. Me desarmava completamente. E perguntou se podia me confessar uma coisa. E eu podia recusar? Pelo amor de Deus.

Ela disse que eu era o primeiro homem que realmente havia conversado com ela. E que ela ainda estava um pouco confusa. Porque normalmente eles queriam levá-la para cama nos primeiros 15 minutos de papo. E isso era bom e ruim. Porque ela estava completamente apaixonada por mim, mas não tinha certeza se eu a desejava também. Afinal, mesmo querendo muito, eu nunca tentei nada. Que tolo eu fui. Depois daquela declaração tão sincera eu só pude beijá-la. Era a minha resposta. Difícil acreditar que aquilo estava realmente acontecendo. Ela ali, ao alcance da minha boca, das minhas mãos. Me entreguei de corpo e alma. Não acho necessário descrever aquela noite de amor. Só quero dizer que superou qualquer tipo de fantasia que eu tenha tido. Foi incrível. Intenso. Inteiro.

E, sem combinarmos muito, as terças-feiras passaram a ser nossas. Mas eram as tardes de terças-feiras. Ela parecia muito à vontade. Feliz. Eu também estava feliz. Era interessante observá-la. Numas horas tão mulher e em outras tão menina. Frágil. Ingênua. Divertida. Andava pela casa vestida com a minha camisa. Curiosa por tudo. Parecia uma garotinha. Mexia nos meus discos. Folheava os meus livros. Bebia do meu whisky. E adorava deitar toda atravessada numa poltrona vermelha que tenho na sala. Passamos muitas horas assim. Sei que podem não acreditar, mas muitas vezes, só conversando. Mesmo. Nunca uma mulher foi tão transparente pra mim. Ela era pura. Doce. Meiga. Mas ao mesmo tempo também era um vulcão em erupção!

Acredito que ninguém a tenha conhecido como eu. Ou, pelo menos, que tenha conhecido esse outro lado. O lado que ninguém via. Aquele que ela não podia mostrar. O que não combinava com o que se esperava da grande diva que ela estava se tornando. Exigiam a mulher superficial. Cuja beleza ofuscava qualquer outro tipo de demonstração. Ela não queria só isso. Queria que a vissem como uma pessoa que apesar de extremamente sexy, atraente e bela, também pensava. E como pensava aquela menina!

Essa nossa “relação” não chegou a ser um namoro. A gente viveu. Sem cobranças. Respeitando-nos dentro de nossas limitações. E, sem que nada houvesse sido dito, havia um pacto. Independente de todo o resto, a gente nunca iria perder o que conquistamos, o que existia entre nós. Que a gente nem conseguia nominar direito. Seria amor? Amizade? Paixão? Acho que passamos por tudo isso! De alguma forma a gente se pertencia. Devia ser algum tipo de amor, ainda não classificado.

Passamos por muitas fases. Alguns períodos de afastamento. Mas, não durava muito. A gente sempre se achava de novo. No meio disso tudo eu até cheguei a me casar! Ela tentou mas, pelo que conheci dela, não conseguiu se entregar de verdade. Queria ser mãe. Ninguém deu isso a ela. Eu, que poderia realizar esse sonho, não era fértil. Ela arrastou essa frustração por toda sua breve vida.
Perdê-la de forma tão banal foi muito duro. Até hoje não superei a falta que ela faz em minha vida. Ficou um buraco. A vida ficou menos colorida. Sem aquele brilho que só ela era capaz de me proporcionar. Sem fazer nenhum esforço. Por muito tempo me culpei. Senti que falhei como amigo. Não estava ao lado dela naquele momento de extremo desespero. Imagino a sua dor. Não consigo julgá-la. Ainda não sei se foi um ato de covardia ou de muita coragem.
O tempo vai nos transformando e transformando nossos sentimentos. Dói um pouco menos (mas, nunca para de doer). E pensar, lembrar de tudo que compartilhamos, ainda me faz feliz. Ah, como eu queria te ter aqui. Ao alcance do meu abraço.

Para a diva incompreendida. Minha eterna e doce amiga, Norma "Marylin Monroe" Jean.



segunda-feira, 7 de maio de 2012

No meu não foi refresco, não!

O nosso problema parece sempre bem maior que o de qualquer outra pessoa. Ora, porque ele fere a mim! E no dos outros é sempre refresco, como diria a minha vó!! 
Bom, não estou aqui para falar dos meus problemas, gostaria, sim, de levantar algumas reflexões. Vamos a elas?
Eu nasci e cresci uma menina loirinha de olhos azuis. E daí, vcs vão me perguntar! E daí que isso, ao contrário do que é rotulado pela nossa "sociedade politicamente correta", não me abriu portas, não me trouxe privilégios e, na verdade, eu não fui poupada de nada em nome desse estereótipo. Aliás, sempre que possível isso foi usado contra mim. Por ser rotulada como "bonita" sofri inúmeros preconceitos. Quando tinha que matar o meu leão de todo dia, muitas vezes era olhada de um jeito torto: o que será que ela está fazendo aqui? Ela não precisa!
Nasci numa família de poucos recursos. Pais separados na minha infância. Fui criada pela minha avó materna. E, naquela época, não havia bolsa-família, bolsa-isso ou bolsa-aquilo. A gente levava a vida no peito. E por falar em família, apesar do meu "perfil", sou de sangue negro e imigrante. Gente que nunca teve medo da briga. E, mais do que nunca, acredito que o Homem, de verdade, é forjado como o ferro, como o aço: numa fornalha, levando marteladas; na luta. Na guerra. Agradeço pela minha formação, dentro da dificuldade, valorizando cada pequena conquista, cada passo. Estou muito pessimista com esta juventude. Sabem o preço de tudo e o valor de nada! Se apegam a cada pequena brecha pra fugir da luta! Pra ir pelo caminho mais fácil. Isso começa em casa, quando têm tudo de mão beijada e vai parar na rua, quando acham que podem tudo e não respeitam nada. Não respeitam o Outro. Não respondem pelos seus atos. 
É um outro tempo, sim. Temos que admitir que a vida muda. O jeito de criar vai se adaptando ao novo. Mas, certos valores não podem sair de moda nunca! Devem estar na essência do ser humano. Integridade. Respeito. Dignidade. Humanidade. Honestidade. Responsabilidade. Cidadania. Civilidade. Etc. Enfim, vergonha na cara!
Talvez agora eu seja odiada pelo que vou dizer, mas não acredito num país que divide sua sociedade em cotas. Que decida o quanto se tem de direito ou não. Aprendi a lutar pelo que queria. Busquei uma formação e só consegui porque quis muito. Porque as dificuldades (financeiras, educacionais, emocionais, de saúde... você as conhece) me levavam a todo momento a pensar em desistir. Não tive apoio nenhum. Muito menos de um Estado que poderia me facilitar isso ou aquilo. E foi bom!! Isso moldou o meu caráter! Me fortaleceu. Me fez guerreira e capaz de seguir em busca de qualquer coisa em que eu acredite. Acho que é um pouco disso que tá faltando hoje em dia. Você protege tanto que acaba desprotegendo. Criando uma geração de fracos. Como diria o educador Içami Tiba: Existe o SIM e o NÃO. Pais frágeis e mães hipersolícitas geram os parafusos de geléia, que espanam ao menor apertão, quando contrariados; não suportam o NÃO. Serão adultos sem senso de ética, gratidão, civilidade, recebendo mesada aos 30 anos, vendendo a casa e colocando pais em asilo.  
Lembram-se da máxima: "o importante não é dar o peixe; mas, ensinar a pescar"? A educação de hoje não apenas ensina a esperar pelo peixe como, também, que ele venha numa caixinha de "Mc Fish"! Será que é com isso que se constrói um projeto de nação? 
Como mulher, mãe, artista, pedagoga e cidadã acredito que a nossa obrigação é educar para o crescimento e não para a dependência!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Tenha a santa paciência!!!

Ah, como é difícil administrar essa coisa chamada paciência. Eu como boa sagitariana que sou, quero tudo pra ontem! Não deixo para amanhã o que posso resolver hoje. Mas normalmente a vida não corre exatamente como desejamos. Nem tudo depende só da gente. E as coisas vão se desenrolando num tempo diferente do nosso. A gente espera do mundo e o mundo espera de nós! E o risco de ser contrariado é grande! 
Qual o tempo certo das coisas? Não sabemos! Às vezes precisamos desacelerar. Deixar que as coisas aconteçam naturalmente. 
A paciência é desafiada com coisas bem pequenas do cotidiano. E é uma boa arma para enfrentar nossa rotina acelerada. Temos que ter muita paciência com todos os infortúnios e, inclusive, para conviver com as diferenças alheias. É difícil colocar isso em prática, mas quem tem paciência pode viver mais e melhor, afinal, é capaz de enfrentar problemas de forma mais consciente e clara e não se deixa abater por qualquer imprevisto. É a paciência que nos permite sentir o valor do único momento que existe, o momento presente.
"Olhe para a pessoa que lhe causa aborrecimento e tire proveito da oportunidade para controlar a própria ira e desenvolver a compaixão. Entretanto, se o aborrecimento for muito grande ou se você achar a pessoa tão desagradável que seja impossível agüentá-la, talvez seja melhor sair correndo!", Dalai Lama.
A paciência é uma virtude que não pode ser confundida com a tolerância excessiva. Uma pessoa paciente não é aquela que aceita tudo. Perder a paciência em algumas situações pode ser algo compreensível. O caso se torna um alerta quando acontecimentos comuns do dia a dia são suficientes para um chilique homérico. Segundo a psicologia do budismo tibetano, ter paciência é a força interior de não se deixar levar pela negatividade. Ter paciência é escolher manter a clareza emocional quando o outro já a perdeu. Neste sentido, ter paciência é decidir manter sua mente limpa, livre da contaminação da raiva e do apego.
As pessoas não conseguem mais se ouvir. Elas chegam em casa e ligam o rádio e a TV ao mesmo tempo e não param quietas nunca. Estão sempre no piloto automático e, assim, fica difícil o autoconhecimento. Pergunte para o ansioso onde ele quer chegar? Qual é a finalidade de sua vida? Surpreenda- se com a vaga resposta. 
Se você morrer hoje o mundo vai parar? A vida segue com ou sem a sua paciência! Portanto, você decide! Levar tudo a ferro e fogo, ou parar pra respirar e ver se realmente compensa sair do controle!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Resgate

 Não sou o tipo que coleciona inimigos ou desafetos. Aliás, acho que nesse sentido sou muito tranquila. Sou sagitariana. Acabo dando todas as chances e até sendo meio boba, mas quando chego no meu limite... acabou! É como o cristal que se quebra! Não dá para colar os caquinhos. É melhor seguir em frente e evitar "lambuzeiras". Tem sido assim. Mas nem sempre assim. Me lembrei de duas situações onde eu decidi voltar atrás. Dar o braço a torcer e refazer um laço de afeto.
Na primeira história foi um desentendimento com uma amiga de infância. A gente era um grude desde sempre, mas por causa de fofocas tivemos uma briga feia e nunca mais nos falamos. Isso ficou engasgado aqui dentro por exatos 17 anos. Num primeiro momento morri de raiva dela mas com o passar dos anos isso só me fazia mal. Tinha sido alguém tão querida, como esse sentimento pode se transformar tanto assim? Depois de bastante tempo eu já achava aquilo tudo uma grande criancice. Coisa boba. E não sabia como, mas queria um dia ter a oportunidade de refazer essa história. E, pra minha surpresa, há alguns anos isso aconteceu. Através de uma rede social, a gente se reencontrou e começamos um papo como se nada tivesse acontecido. E realmente, pensando hoje, o que aconteceu foi muito pequeno perto do quanto a gente se gostava. E conseguimos nos reencontrar depois de uma vida! Ela veio me assistir no teatro e pudemos dar um grande abraço. Nossa, naquele momento senti um alívio indescritível. Precisava tanto disso. Lavei a alma! E valeu tanto a pena... O orgulho às vezes é tão cruel e desnecessário. 
A segunda história ainda não está finalizada, mas já dei o primeiro passo e fui correspondida. Também é uma pessoa muito querida que foi afastada de mim por uma série de mal entendidos. Nunca me conformei com esse afastamento, mas acho que tive que viver um pouco mais pra pesar o que realmente deveria fazer. E o quanto poderia deixar de lado certas mágoas. Acho que esse é o ponto. Amadurecer pra conseguir perceber se esse "engasgo" existe porque ficou algo mal resolvido que precisa ser confrontado. Foi nesse ponto que cheguei. Sabia que eram situações especiais. Exceções às minhas regras. Então, coloquei na balança todos os sentimentos envolvidos e me dei conta que não valia a pena remoer mais nada. Tudo que eu queria era uma reconciliação. Porque o sentimento mais forte, independente de todas as circunstâncias que provocaram a quebra, era o amor. E esse passa por cima de tudo! Cicatriza todas as feridas e nos coloca diante de uma escolha. Se há amor, é possível reescrever uma história deixando de lado todo o resto! Ah, o resto... O resto é silêncio.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Amor. Meu grande amor.


O ano de 2010 foi um ano de renascimento pra mim. Agora estou conseguindo enxergar as coisas como elas são de verdade. Sem o véu de uma longa luta contra meus demônios internos. E o amor foi fundamental nesse processo. E não estou falando de amor-próprio. Esse foi muito importante, sim, mas estou falando do ser amado. A presença de alguém dono de tanto amor, tanto amor, que muitas vezes eu não mereci. De um amor que não desistiu nunca. Capaz de tudo. E em muitas vezes só precisava estar ali, sem nada dizer, ao lado. Hoje, eu consigo reconhecer que não pode ser de outro jeito. Só assim vale a pena. Mas pra chegar até aqui...
O amor se transforma. E nos transforma. Esse amor já passou por tantas fases. Fases difíceis. Mas também fases muuuuito boas. Me fez crescer tanto. Me fez continuar acreditando. Me faz levantar todos os dias e agradecer. É. Eu só tenho a agradecer. Esse amor fez de mim uma pessoa melhor. Feliz. 
O amor nos faz fortes. Capazes de enfrentar e superar tudo. Mesmo nos "dias mais nublados", lá no fundo, a gente segue acreditando. Briga. Xinga. Tem vontade de matar e morrer. Mas resolve. Quando o amor se faz presente as tempestades passam e ele só se fortalece. Amadurece. Vai renascendo mais e mais e mais. 
E como é bom amar e ser amada!
Nunca vivi nada parecido.
E ver esse amor concretizado através do nascimento de um filho, é um presente divino. 

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Para os meus filhotes, com amor, mamãe...


Os bichos e as crianças tem um jeito todo particular de se comunicarem. Brincam, brigam, fazem carinho. Eles se entendem. Vejo isso muito de perto aqui em casa. Temos o nosso filho "peludo", o Enzo, um schnauzer sal e pimenta de quase 2 anos e meio. E o filho "pelado", o Theo, um legítimo garotinho, de 1 ano e 7 meses. 

Eles convivem desde sempre. No início eu tive um pouco de receio. Achei que o Enzo teria muito ciúmes, afinal, ele veio primeiro e tinha toda a atenção só pra ele. Mas me surpreendi com o seu comportamento. Logo na primeira semana do Theo em casa, numa daquelas noites difíces, de cólica, tivemos uma experiência interressante. Eu estava dentro do quarto do Theo trocando a fralda dele, com a porta fechada. O Theo chorava sem parar. Lá fora estavam o meu marido e o Enzo. De repente, deu os "cinco minutos" no Enzo. Mordia a barra da calça do meu marido, puxando-o para o quarto do menino. Parou na porta em posição de alerta (aquela com uma das patinhas apontando). Enquanto meu marido não abriu a porta e viu que estava tudo bem e o choro parou, o Enzo não sossegou. Era como se ele precisasse fazer alguma coisa, ajudar de alguma forma. E muitas foram as madrugadas em que eu estava na poltrona dando de mamar para o Theo e o Enzo estava ali, um cão de guarda, quase cochilando, mas ao meu lado. Firme e forte. 

Com o passar do tempo a curiosidade de ambos só aumentava. Sempre foi recíproca. Os dois queriam se conhecer. O Theo estava sentado no carrinho e lá estava o Enzo dando um jeitinho de ficar perto, cheirar, roubar um brinquedo. E assim que o Theo começou a engatinhar ele passou a roubar os brinquedos do Enzo! E a comida também! Não podia dar sopa. Lá estava ele enchendo a mãozinha e hum, hum!!! Aliás, é assim até hoje. Ele não pode ver um grãozinho de ração que põe na boca. Eca!! Mas parece estar comendo um chocolate. Fazer o quê?

Agora que o Theo já está maiorzinho eles interagem muito mais. Brincam o tempo todo. E se entendem como ninguém. Fico impressionada. Dividem tudo. E às vezes nada!
Sou cuidadosa. Estou sempre de olho. Mais por excesso de zelo do que por real necessidade. O Enzo é um ótimo irmão mais velho! Na verdade, meio irmão meio babá! Tem uma paciência com as brincadeiras do Theo...

É uma convivência muito saudável. Bom para os dois. E pra nós como pais também. Desperta na gente uma forma de carinho incondicional, que os cachorros conhecem muito bem. 
Sabemos que o Theo vai crescer, vai pra escola, vai aprender a falar, a escrever, a ler. E o Enzo não. Ele será sempre assim. Late e pede carinho e atenção. Só. E quando Theo tiver uns 13, 14 anos, ou seja, um mocinho, o Enzo já vai estar velhinho ou talvez não esteja mais entre nós. Dá um aperto. Acho que por isso essa relação é tão intensa. Sabemos que ela tem um prazo. Temos que amá-lo, muito, enquanto ele estiver aqui. 

E eu só tenho a agradecer por poder proporcionar essa experiência única ao meu filho!

Para os meus filhotes, Theo e Enzo:






segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O silêncio dos inocentes

Tenho sentido uma enorme dor de estomâgo ao ver cenas tão absurdas de violência contras as crianças. Toda semana ficamos sabendo de uma nova barbaridade. Meu Deus, como isso pode acontecer? Seres tão indefesos que deveriam contar com cuidados e toda atenção dos adultos, à mercê dessa gente doente. É muita perversidade! 
Primeiro foram inúmeras histórias de babás flagradas em plena ação contra os pequenos. Coisas de arrepiar!  Depois pipocaram relatos em que creches, que pareciam seguras e acolhedoras (todas com nomes tão sugestivos: bebê feliz, algodão doce, ursinho carinho, nana nenê etc.), onde os pais deixavam suas jóias mais preciosas para que fossem cuidadas com todo carinho - e pagavam caro por isso - escondiam, na verdade, maus-tratos, humilhações e abusos. Crianças pequenas. Muitos ainda bebês.
Teve também o caso daquela louca que adotou a criança, ficou um mês com ela e judiou de todas as formas.
Recentemente tenho visto várias e várias situações em que as crianças pequenininhas são agredidas pelos próprios pais. Onde vamos parar com tanta bárbarie? Os pais são - ou deveriam ser - o porto seguro. As pessoas em quem a criança mais confia. O que esperar de um mundo onde quem mais deveria te amar, te tortura?
O que será que passa na cabecinha dessas crianças? Como vão crescer depois de tudo isso?
Num primeiro momento sobe aquela raiva e a gente tem vontade de fazer justiça com as próprias mãos. Mas, aplacar a violência com mais violência, não dá. Temos que confiar na justiça e acreditar que essas pessoas não possam mais cometer nenhuma atitude dessas contra ninguém. E confiar que essas crianças possam, um dia, conseguir curar essas feridas emocionais.
Cuidar de uma criança não é nada fácil. Exige muita dedicação e amor acima de tudo. Esses vermes não poderiam chegar perto de crianças. Esses pais, ou sei lá que nome dar a eles, não deveriam ter o direito de gerar um filho. Essas pessoas só podem ser loucas; não é possível!
Os pequenos não podem e nem tem como se defender. Geralmente, nem falam (o que aumenta a crueldade). Por isso, devemos estar sempre muito atentos. Ao menor sinal, vamos investigar, vamos denunciar! Essas coisas não podem ficar impunes! 
Por amor aos nossos filhos!